| Aguas da incompetência |
| O Brasil sofre por incompetência, sofre por má
administração e incompetência, nós somos a
maior potência em potencial do mundo e não conseguimos
gerenciar nossos recursos humanos e físicos. Não sofremos
catástrofes de grande escala, como furacões, tornados e
terremotos, mas ainda assim sofremos com a impossibilidade de gerir o
nosso poder, um pais como o Brasil, sobreposto ao maior manancial de água
subterrânea do mundo, banhado pelos maiores e mais caudalosos do
nosso planeta, invejado universalmente pela imaginação,
criatividade e adaptabilidade da população mestiça
que o povoa, não consegue resolver problemas como a escassez de
chuvas. Acredite nos possuímos um deserto, ou melhor dizendo um
semi-deserto, encravado entre os Rios Amazonas e o Rio São
Francisco, e superposto ao maior lençol freático
conhecido. É um lugarzinho árido, onde um povo desprovido
de possibilidades, come calangos, pequenos lagartos verdes que conseguem
sobreviver à seca, por falta completa de possibilidade de plantar
e comer com freqüência e tirar da terra o básico para
o seu sustento barato. Sim sustento barato, porque a despesa que eu ou
você, querido leitor, temos com gasolina ou com compra de revistas
como esta, mensalmente, sustentaria qualquer uma destas famílias
pelo mesmo período com regalias que elas não conhecem.
Construímos grandes oleodutos, para abastecer nossos tanques de
gasolina, ligando países estrangeiros ao nosso sudeste, e somos
incapazes de explorar o subsolo aqüífero do nordeste, ou de
construir um Aqueduto que transporte a água do São
Francisco, ou do rios da Bacia amazônica para o sertão. Premiamos jovens, e elogiamos cientistas, por teses e trabalhos sobre água potável, colocamos em discussão o chamado desperdício, e tentamos culpar os usuários, pela incompetência dos exploradores. Não falamos em captação de água da chuva, que por aqui também abunda em certos períodos do ano, e órgãos como o IBAMA preferem multar pequenas propriedades por construir açudes para gerar riquezas com o uso racional da água que trabalhar em conjunto com os órgãos governamentais responsáveis pela produção rural e adequar as necessidades às realidades. A falta de água potável que é apregoada, para um próximo futuro, é um mito, um mito estúpido, uma busca de marketing e de popularidade dos mentores deste conto de fadas, que como não tem competência para ajudar a resolver o problema da "geração" de água potável, sobrevivem de boatos e fofocas na mídia. Pessoas que ao invés de tentar tirar seu sustento de produzir, preferem faze-lo do modo mais simples, através da boa e velha fofoca ! Se você é um estudante ou um novo cientista preocupado com o tema desta reportagem, preste mais atenção no em torno e perceba que a água mais importante de ser tratada, ou melhor, cuidada, não a que bebemos no dia a dia, mas na que somos obrigados a ver por nossos caminhos durante nossa viagem diária, pela cidade, em busca de nosso sustento, a solução para todos os problemas com a água, começa pelos rios que atravessam nossas cidades. Cadê a preocupação dos estudiosos com eles. São Paulo, limpe o Tietê e o Pinheiros, e conserve-o limpo, limpe com isto a alma de seus paulistanos, e então, só então, pergunte-se, com a alma limpa, olhando para o leito de um rio vivo, com suas espécies recuperadas, ou mais que tão só olhando, sente-se na grama verde às suas margens em um domingo de sol, e com uma prancheta sobre as pernas dobradas "bole" soluções para a água potável. Percebera então que o rio e sua beleza limpará sua alma e sua mente, e permitirá uma produção muito mais completa, coerente e profunda. |